
Precisa-se urgentemente de alguém q me ajude a mudar o meu layout
Esse título mais parece um trecho de música do Kid Abelha. Músicas do Kid Abelha sempre são assim, trágicas e de uma carência tão absurda quanto inverossímil.
E eis q resolvi abandonar momentaneamente o mundo de Olivias e Leonéis, pra fazer a coisa q mais detesto na vida:ordenar a minha existência. Isso é algo q acontece bissextamente, quando as situações já deixaram de ser emergenciais há muito. Tenho q acabar todos os textos q já prometi estar prontos, comparecer a todos os compromissos q marquei, porém sempre há um filme, ou alguma conversa rara, ou uma bela moça sentada num bar e aí toda ordem sucumbe. Mas preciso de alguém q me ajude a fazer esse tipo de coisa. Uma delas é mudar esse layout, q sempe qdo vou tentar ler o blog as letras são imensas, pra escrever então é um suplicio. Alguém se candidata?
E fazendo a arrumação no meu quarto achei uma pérola. Um talento sem precedentes, uma obra prima do hardbop "John Coltrane e Kenny Burrel", uma gravação de 62, fantástica. Mais do q um cd é um encontro de dois seres humanos fora do comum. Coltrane ama através da sua música. É assim q ele demonstra seu amor pelo mundo. E é um amor voluptuoso, visceral, magoado, mas com a sutileza q um gênio tem. Burrel é um dos guitarristas do jazz mais subestimados. Claro q ele não era um Wes Montgomery ou um Joe Pass, mas era o cara das notas. Ele encaixava no momento certo a nota. Na arrumação tb reencontrei a edição do meu pai de "Eu" de Augusto dos Anjos. Um poeta pra ser declamado. Descobri muito tarde q declamar Augusto dos Anjos é muito melho do q tentar entendê-lo. O unico livro de um escritor q assim como Dorival Caymmi não influenciou ninguém diretamente, pq o q fazia era tão original e autentico q ninguém conseguiu se aproximar...
...mudando de assunto, essa semana é a do vitória cine vídeo. Um festival engraçado, parece até uma amostra grátis de remédio pra câncer. As pessoas só tomam a amostra e ficam prometendo ver e rever e estudar as coisas q passam durante o ano. A seleção é feita por celebridades capixabas q nunca viram Fritz Lang ou Ernest Lubstich (nem sei se eles conhecem Orson Welles pra dizer a verdade), e assistida porpessoas q o máximo de cinema q tem contato é Amelie Poulin. Pudismo demais, superficie demais, indies (ou Indios como diria o Bravo) demais. Ou seja, imperdível.
Escrito por Fiódor às 14h32
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Galera, aí vai uma outra parte do texto q transformei de roteiro em literário. Não gosto mto de comentar as coisas q escrevo, mas o roteiro ele tem algumas digrssões próprias, talvez a edição seja até nessa ordem caótica q estou publicando. Enfim, antes de terminar queria q vcs ouvissem todos esses sons q coloco nos textos. São lindos e são muito pessoais pra mim. Vamos deixar trololó e vamos ao q interessa:
Capítulo 1- A Casa
Ao abrir o elevador vendou-a com um pano de seda vermelho. Perguntou se estava conseguindo olhar por entre os fios do tecido. Passou sua mão na frente dos olhos pra certificar-se que sua artimanha dera certo. Pegou na sua mão para conduzi-la pelo corredor até a porta do apartamento. Como sempre cruzou seus dedos com o dela e trouxe-a deslizando pelo corredor de paredes cor de gelo.
Os sentidos dela estavam aguçados e ao passar pela primeira porta do corredor, ela se assustou ao ouvir as primeiras notas do fabuloso disco de Stevie Wonder “My Cherie Amour” no apartamento do vizinho que lembrava ele também das coisas que deveria ter deixado de . Nada poderia ser mais adequado. Seu coração cada vez palpitava mais.
Ao passar pela segunda porta do corredor ouviu o barulho de pratos de uma família de marroquinos que tinham o costume de sempre comer juntos aquela hora. Ele resolveu tentar uma brincadeira e soltou-a no corredor sozinha. Ela espertamente agarrou o colete dele e proferiu algum dos seus xingamentos já característicos. Ele ri e dá um beijo rápido, porém firme, em sua boca.
A porta é a terceira. Ele girou a chave com cuidado. Abriu a porta e a fez entrar com um leve empurrão. Ela sentiu o cheiro da pintura recente, misturado com o barulho de uma construção que parecia próxima. Ele a desvendou e disse: “Esse é o começo da nossa vida”. Ela arregalou os olhos. E tão incontido como o seu sorriso eram suas lágrimas. Naquele momento ela lembrou do primeiro momento que o viu, das primeiras risadas juntos e de todas as impossibilidades. Essa foi a primeira lembrança quando abriu os olhos.
O apartamento era no Soho, bairro judeu de classe média de Manhatan. Sempre quando antes passavam pelo Bairro adoravam as cores das casas. Era num café ali perto onde ele falara pela primeira vez que a amava. Ele a escolhera pura e simplesmente por tê-la visto sorrir num dia de primavera....
...(continua)
Escrito por Fiódor às 00h58
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Hoje vou começar a postar textos sobre um roteiro q eu estou escrevendo. Transformei o roteiro num texto literário, uma parte dele pelo menos.Espero q vcs gostem, na verdade primeiro espero q vcs leiam, se quiserem comentar seria um prazer. Então aí vai:
" Vez por outra Leonel olhava pra porta. Homens sempre olham pra porta pela possibilidade da entrada da beleza porética. No som do restaurante tocava "Blues For Alice", ele sabia q o som cortante só poderia ser executado pelo velho Charlie Parker, ria pela constatação da sua exuberância intelectual jazzística, mas um segundo, logo estava as voltas com a dor no estômago. Ele olhava para o seu relógio. Detestava a idéia de depender do relógio do celular. Começou a ensaiar as frases, Pensava consigo - Como se pode começar uma conversa onde você sabe que o seu conteúdo pode desencadear a morte de uma pessoa?
Olívia adentra ao retaurante. Usava um vestido longo, azul, era engraçado como Leonel, sentia o perfume de Olivia a grandes distâncias. Ela, mesmo vendo o semblante grave de Leonel, acenou com um entusiasmo digno e incrível. Chegou a levantar os calcanhares do salto. Enquanto vinha na direção de Leonel, ele se levantava. Sempre se levantava quando ela se aproximava, falava desde os tempos do ginásio que um homem sempre deve se levantar em frente a um espetáculo, e ver Olivia andando era sempre um espetáculo mudo e frágil., e tão exuberante. Ela como sempre, quebrava todas as formalidades e logo envolveu as mãos na nuca de Leonel e puxou-o para si. Na boca dele ficou o gosto da química do baton, na dela o gosto das coisas por serem ditas.
Sentaram-se de frente, ele sentia que o perfume dela já tinha se anexado ao seu corpo. Ela sem falar muito começou a encarar o cardápio. Ele ficou sem jeito. Ia e voltava na cadeira cruzando as pernas, onde as coxas já formigavam pela espera. Abruptamente ela, ainda olhando o cardápio fala:-era a nossa música, viu? Acabou
- "Blues For Alice" sempre será a nossa música. Lembra quando decidimos botamos botar o nome da nossa filha de Alice, por causa dessa música?
Tentava disfarçar a própria dor, quando começou a tocar "My Favorite Things". Ele tomou o ultimo gole da taça de vinho e o ultimo fio de coragem que lhe sobrava:
- Olívia, não sei como se começa a dizer essas coisas...
- Não diga nada- disse Olívia, ainda lendo o cardápio. Ela levantou logo a cabeça e disse- Eu sei que esse será o nosso ultimo jantar. Eu só quero te pedir que não fale isso hoje. Vamos fazer o seguinte, terminamos o nosso jantar. Quero depois sair pra dançar tango, e terminamos a noite sentados em frente ao pier. Damos um beijo e nunca mais nos vemos, que tal?. Eu só peço esse ultimo minuto de alegria. Não me fale que isso seria difícil pra você, pois dentre as suas poucas qualidades não está incluída a sinceridade.
Leonal pensou na hora "Olívia está velha. pelo menos me parece que envelheceu 20 anos essa noite...""
Escrito por Fiódor às 01h06
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"Don't Let Me Down"
Esses dias eu li um depoimento de um policial inglês, q dava um testemunho do fato ocorrido na manhã normanda de 30 de Janeiro de 69, qdo ele recebeu uma queixa de perturbação da paz no centro de Londres. Chegando ele ao lugar qual não foi a sua surpresa em perceber q se tratava do prédio da gravadora Apple, e no terraço estava acontecendo o show de uma banda. Subindo ele as escadas, percebeu pelo som q as musicas eram conhecidas, ao chegar no topo do prédio teve a constatação de q quem estava perturbando a paz dos moradores eram nada mais, nada menos (essa é boa!!) do q os Beatles.
A idéia de subir ao terraço do prédio foi creditada a Paul, q após a gravação das 30 canções q compunham o "Get Back Project", empolgado com o resultado, resolveu testá-las ao vivo. Agora imagine se vc fosse um policial londrino, com uma vida pacata e desinteressante (lá eles não usam nem armas...) tivesse q interromper o show da principal banda de todos os tempos, q estava há 4 anos sem tocar ao vivo, o q vc faria?...Exatamente o q ele fez, curtiu o show de camarote, e com certeza nunca mais foi o mesmo depois do encontro com o Fab Four.
Meu relacionamento com os Beatles foi o meu primeiro passo pra conhecer sobre música pop. A primeira letra em inglês q eu cantei foi "Yesterday", os primeiros acordes do violão foram com "Can't Buy Me Love", a projeção dos meus super heróis da infância foram projetadas imediatamente após os 10 anos para Lennon e Mcartney. Porém, o mais interessante q mesmo ouvindo há tantos anos, existem músicas q só fazem sentido só agora. O caso é q a música título do post, me trouxe a reflexão do q nos Beatles me emociona. E se eu fosse definir em uma palavra é Sinceridade. A sinceridade daquele q é o melhor casamento da música pop (Lennon/Mcartney) é o q faz dos Beatles tão significativos pra mim. Quatro homens tão incríveis ao ponto de se colocarem de maneira tão frágil como nessa "Don't Let Me Down". E assim como Allen se coloca vulnerável nos seus filmes, crescer é tb o reconhecimento da falibilidade das coisas e de si próprio. E eu sempre sinto q ouvir Beates é como ler/ver a fábula do Mágico de OZ. São quatro rapazes q querem crescer de maneira fantástica, mas q a grandeza está nisso, em se permitir ser criança, a ser filho, a amar, enfim.
PS: Das coisas lindas q eles criaram no nosso imaginário é a idéia de "Penny Lane". Eu a encontrei esses dias numa esquinas, com seus cachos dourados e seu sorriso de caramelo.
Escrito por Fiódor às 15h25
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TOP 10 DAS COISAS Q ENVELHECERAM MAL
(Categoria- Atores e Diretores de Cinema)
Quero agradecer a revista BRAVO, por acabar no dia seguinte com a minha lista publicando uma reportagem de capa sobre o John Lennon. John era um dos gênios (me perdoe la femme) da música pop, mas o desenrolar da sua obra se tornou brega e datada. Agora vamos aos meus ídolos da tela grande. Caras q poderiam ter parado há uns 10 anos. Ano q vem um deles vai lançar filme (ai q medo...). Mas hj o quesito é produção atual. Pois a obra deles não envelhecerá nunca.
1- Steven Spielberg
2- Francis Ford Coppola
3-Martin Scorcese
4-Robert De Niro
5-George Lucas
6-Dustin Hoffman
7- Liza Minneli
8- Bridget Fonda
9-Tom Hanks
10-Marlon Brando
Escrito por Fiódor às 14h28
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LIKE CHOPPIN
Poucas coisas são mais bonitas do q uma execução da Valsa Nº6 Op. 64 Nº1 de Choppin. Adoro músicas tristes, soturnas, sofridas. Talvez em maior quantidade q das músicas , digamos, "alto astral". Em Choppin o sofrimento é tocado/sentido com propriedade, quase q como uma constatação inexorável das coisas. É o sofrimento q não aceita condescendências, q está além dos abraços bem intencionados. Não é um sofrimento meloso, nem trágico. O sofrimento Coppiniano é cancerígeno, q começa como um pequeno furunco e chega a afetar ao corpo inteiro. Um câncer de cem anos de solidão.
A dor de Choppin é diferente de Charlie Parker. Parker era agressivo, um Touro Indomável. É diferente de Thom Yorke, com aquela escuridão depressiva adorável. Sinto q Choppin é como os nórdicos. A dor é como um hábito cotidiano.Daquelas q são consequência de não se conseguir fazer felizes aqueles q ama. E esse é um conflito adulto, q não se refugia no mundo infantil, nem em forma, nem em conteúdo. Uma dor q é da alma e não do corpo. Q ataca o espírito, q deseja não mais precisas respirar, se engolir, do q não se pode ser mais livre totalmente. Eu amo Choppin.
Escrito por Fiódor às 12h35
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Uma partida de futebol, não é simplesmente um jogo qualquer. é uma disputa de polegadas. Uma entrega ao acaso através do desejo cego de 22 homens. Como já foi comentado aqui sou flamenguista. E daqueles apaixonados. Daqueles q acreditam em qualquer sinal de reabilitação, de esperança, daqueles q conhecem os momentos de glória, e desejam com uma obstinação digna de guerra tornar a sentir "aquelas" sensações.
Pra minhas leitoras mulheres esse papo pode parecer extremamente infantil, e tlvez até com uns traquejos de superiodade do universo masculino, embora aquelas mais assíduas sabem q não é verdade. Por isso vamos tocar nesse assunto delicado (mais delicado q falar em aborto, ou em mulher fazendo cocô).
O futebol é pra alguns caras o único momento de poesia q vão perceber na sua existência. Talvez o momento onde percebem a imprecisão da vida e ficam à mercê do acaso, e a única coisa q podem fazer é contemplar, jogar junto, ou torcer. O futebol é o além do homem, algo q não se pode conter. Onde de maneira até muito hipócrita, porém adoravel, todos os caras se vêem como iguais.
Porém ser flamengo é mais do q isso. Torcer pelo flamengo requer uma sensibilidade a alguns fatos. Não acho q a torcida do flamengo só se destaque pelo volume, ou pela classe social. Ser flamenguista é acima de tudo ser sensível, e aí pra mim está a grande poesia ( e tb o grande paradoxo)de torcer por esse time. Na verdade o flamenguista é acima de tudo um solitário, na verdade a unidade da massa rubro-negra se dá pela solidão. Todos estão cercados de milhões, mas sempre o seu sofrimento é único. E hj eu voltei a ter aquelas angústias, aquelas alegrias q só quem ama esse time conhece.
Pra todos aqueles q amam o futebol, e ao Flamengo, mesmo q a tabela esteja de cabeça pra baixo.
Escrito por Fiódor às 01h13
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TOP 10 DAS COISAS Q ENVELHECERAM MAL
(Categoria- Musica Pop)
Já fui acusado por uma namorada de ser a inspiração para o personagem do "Alta Fidelidade" do Nick Hornby. Nem tanto pelas listas, mas pela arrogância e dogmatismo musical. Enfim, comecei uma lista de coisas q envelhecem mal. Na verdade é meio q um livro dos dias. Todos esses nomes, em alguma fase da vida eu gostei muito, e ainda gosto, mas eles me dão enjôo só de pensar hj, seja pela obssessão dos fãs, seja pela persona dos próprios, enfim, os caras envelheceram mal. Não importa se eles acabaram a 30 anos, ou há dez. Se estão vivos ou mortos. O Importante é q, no imaginário, eles parecem sempre repetitivos.
1- Caetano Veloso
2-Nirvana
3- Bob Marley
4- John Lennon
5- Led Zeppelin
6- Renato Russo
7-Raul Seixas
8- Deep Purple
9-Gal Costa
10-Peter Frampton
Escrito por Fiódor às 12h46
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Hj Eu Vi a Annie Hall. Foi como andar num Céu de Diamantes

"Como seria bom se a nossa vida pudesse ficar congelada assim como esse plano em P&B..."
Estou ficando viciado nesse negócio de bloggar. Sei q existem somente duas leitoras de fato, mas tem sido interessante falar sobre alguém comigo mesmo através desse quadro luminoso.
Queria falar hj sobre a chatice da coisa do senso comum. É engraçado como os acadêmicos estudam e pesquisam desculpas pra disfarçar o seu preconceito. Agora o novo front é o "Senso Comum". Dizem q essa história de senso comum não existe mais, o q há dois anos era matéria de prova, quase dá margens pra acusações de nazi-facistas (um dia vou falar sobre o holocausto, é aquilo né amigas, se eu to com o microfone, é tudo no meu nome). A pergunta não é se o senso comum existe ou não. o lance é saber de quem é a régua? De q posição o tiro veio? Chego então a conclusão de q a questão do senso comum é fruto de uma investigação, chamemos o FBI pra bater o carimbo e colocar na nossa lixeira virtual mais um jargão q a partir de agora vai ser politicamente incorreto.
Uma coisa q é senso comum é Chico Buarque. Estamos ouvindo tanto sobre como ele é fundamental, unanime, bonito, conquistador, gênio, pegador, elegante, tímido, q me parece constrangedor, mesmo q intimamente falar bem do cara. Acho q daqui há uns dois anos vai começar a ser original falar mal de Chico Buarque, mas por enquanto, vou publicar a minha primeira letra no Blog. Não q seja minha. É do Chico, mas é pq eu presenciei esse momento hj. Dedico a ela, q provavelmente nunca lerá essa mensagem: Annie Hall. Nunca deixe de sorrir. Vc é minha Noite Americana. Essa é "Cecília". Uma das coisas dele. Reparem nos dois últimos versos.
“Quantos Artistas entoam Baladas
Pras suas amadas com grandes orquestras
Como os invejo, como os admiro
Eu que te vejo e nem quase respiro
Quantos Poetas românticos prosa
Exaltam suas musas com todas as letras
Eu te murmuro, eu te suspiro
Eu que soletro teu nome no escuro
Me escutas Cecília
Mas eu te chamava em silêncio
Na tua presença
Palavras são brutas
Pode ser que entreabertos,
Meus lábios de leve tremessem por ti
Mas nem as sutis melodias
Merecem Cecília teu nome espalhar por aí...”
Escrito por Fiódor às 02h04
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Todo grande império necessita da criação de seus mitos e da efetuação de suas mortes. Isso não tem nada de original, ou novo, vide Gore Vidal e Maquiavel. Pra mim, um dos inventores da mitologia do século xx, a americana, foi Frank Capra. Sempre q vc estiver com alguma dor de cotovelo, naqueles dias Thom Yorke, veja "A Felicidade Não Se Compra".
Eu tenho q confessar ás minhas leitoras (pelo menos até agora só mulheres comentaram), eu adoro fábulas. Adoro esse flerte com o inverossímil, com o infantil, com aquilo q não tem cabimento. Na verdade o q tem cabimento? Já disse q não caibo nesse mundo, então eu sou a prova viva do descabido. É engraçado como as coisas acontecem, vi esse filme num daqueles momentos russos da vida, onde parece q o sofrimento é tão dolorido q parece q vc vai ser levado pra Sibéria, aguentar aquela temperatura amena, e carregar nas costas as dores do mundo. O filme fala de um cara q sempre quiz sair da sua cidade natal, uma daquelas cidades pré-moldadas do interior dos EUA, mas nunca conseguiu por conta das dificuldades da empresa de seu tio, empresa da qual ele se tornou dirigente. Um dia um anjo vem proporcionar a oportunidade dele conhecer a cidade se ele não permanecesse lá.
O filme é perfeito, e eu adoro Frank Capra, por que ele é brega, é sentimental ao extremo, mas consegue fazer com q a fabula seja tocante, sem perder o timing. O filme conta com a interpretação do canastra James Stewart, e existe algo de muito conservador, mas ao mesmo tempo muito libertário. Esse é um daqueles filmes q são frutos do susto causado pelo crack da bolsa em 29. O capitalismo assustava pq nunca tinha acontecido uma crise tão devastadora nos EUA. Mas ele me tocou, pois George Bailey (Stewart) constrói uma família q se ama por meios muitos transversais, e a unica coisa q sustenta a família é realmente o amor.
Não sou um daqueles caras q pregam a família, a religião e o estado, mas esse amor q nós sentimos por aqueles q estão próximos, mesmo q não tenhamos muito em comum com os mesmos é inexplicável e fundamental. Detesto possessividade, e estabilidade, acho duas palavras abomináveis, mas nossas vidas sempre tem de ter um ponto de ancoragem. Andar na linha limitrofe entre amar e ser possessivo é muito dificil, assim como os limites dos filmes de Capra. Pra terminar vou de Saramago: "Amar é uma das melhores maneiras de ter. Ter deve ser uma das piores maneiras de amar..."
Escrito por Fiódor às 23h52
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A Mais nova integrante do meu TOP 10. Rachel Weisz, uma autêntica Teresa.
Escrito por Fiódor às 13h30
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Tenho um pensamento recorrente há uns 2 anos: O q é ser velho? Tento formular algumas respostas , chegar a algumas quase conclusões, mas não gosto de nenhuma delas significativamente, me divirto, sim, com a formulação delas. O meu envelhecimento se resume a reparar em trejeitos específicos das pessoas q tem se tornado cada vez mais repetitivas. Porém, esses termos usados acima ("repetitivas" principalmente) não mais tomam uma conotação de toda e nem fundamentalmente negativa. Eu estou começando a amá-las. Na verdade esse preâmbulo é pura e simplesmente pra falar sobre uma dessas coisas específicas e q a sua repetição faz com q ela se torne bela.
Quando lembro dos meus relacionamentos mas antigos, me vem a memória imediatamente coisas muito contraditórias e cafonas ao mesmo tempo, até pq sem cafonice não existe amor, e nem fé. Mas o momento do limite entre o físico e o sentimental é o q eu chamo de Hesitação. Essa é a verdadeira grande loucura da paixão, quando naqueles segundos antes do primeiro beijo, a mulher estremesse o corpo, contrai todos os músculos, e por um momento nos sentimos como algozes e testemunhas da loucura de uma mulher, e um segundo depois nos sentimos como salvadores, da mesma forma q nos sentimos salvos. Mas toda mulher hesita. Até a puta hesita. Até a freira hesita, e estremesse, como um raio q dá inicio há um incêndio, avisando q nada será como antes. Paul Ricoeur fala q "Só há responsabilidade quando há fragilidade. O verdadeiro objeto da responsabilidade é o frágil..." , e essa noção de responsabilidade é o segundo de angústia do homem. Não por ele ser homem, mas por entender q aquele espetáculo de medos e despedidas o revela tb frágil, quase como uma volta placenta. Esse momento específico, q depois se faz esquecer me faz entender q eu já tive muitas paixões e q elas são aquilo q me faz sabotar a minha própria idade, elas são a minha pedra filosofal, o meu Delorean existencial, é aquilo q me faz em um segundo voltar pra mesma questão insuperável...
Escrito por Fiódor às 13h04
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O Homem q dorme com uma mulher Kafkiana sempre Acorda ao lado de um inseto
Estive há alguns dias me envolvendo na questão q Thomas Mann explorou no seu magnífico "Morte Em Veneza": Belo versus cerebral, expontaneidade versus elaboração e etc, etc...Na verdade não houve um fato unico q tenha desencadeado tal inquietação, embora tenha existido uma gota. Gosto de alegorias pq acho q o mais interessante das histórias não é a sua veracidade, mas sim a sua aplicação metafórica. A vida é a metafora para a própria vida. Enfim, estava eu num dos meus passeios vespertinos, quando, ao me sentar num café, estilo francês, não tanto pelo café, ou pela arquitetura, mas por estar tocando jazz dos anos 40, sentei eu a fingir ler as revistas. Olhava uma em q uma atriz americana dava dicas sobre como tornar-se 10 anos mais jovem, o pior de tudo pra mim não era em si o conteúdo da matéria, mas principalmente o cabelo da moça estar escovado. No meio da minha divagação, eis q surge Isaura. Uma moça q a sua beleza era tão agressiva q reoslvi pedir um café expresso. Uma beleza espontânea, imprevisível, se Deus tivesse usado como exemplo Isaura, a discussão com Jó teria terminado na hora. No momento q ela entrou estava tocando "Star Eyes", interpretada por Lester Young, e aconteceu a velha pane no meu sistema. A beleza sempre tem a preferência da minha atenção primária. Ela se sentou e todos os compromissos q haviam na minha agenda estavam cancelados. Troquei a revista por livros, e aí comecei a fazer como os pavões, porém, ao invés de cores usava letras, livros. Fui onde não se tem como errar: "Canto Geral", do Pablo Neruda. Além de plasticamente bonito, é um livro com tantos mitos em volta q poderia falar dele a tarde inteira. O tipo de livro q valeria o numero do telefone. Tudo dependeria da escolha dela, para q eu tentasse puxar um link. Ela pegou a revista "Rolling Stone" e começou a ler e ria como se fosse um livro do Ary Toledo.Eu comecei a refletir naquela questão inicial. Thomas Mann, fala q " a grande ventura do escritor é tornar todo sentimento em pensamento, e todo pensamento em sentimento...". Esse conflito é antigo e intenso, será q toda beleza não é idealizada? e q toda a genialidade tb não é inventada? É tão engraçado qdo nos sentimos impotentes diante da beleza. Parece q todos os curriculos parecem supéfluos...(continua)
Escrito por Fiódor às 14h52
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São versos graves esses meus.
Todo texto que escrevo é grave. Pq não consigo fugir de mim nos meus textos. Machado já falava isso na introdução de "Dom Casmurro" (lembra?!). Por mais que eu tente de uma maneira extremamente sistemática e metologica não pensar nas expectativas que eu próprio crio sobre as coisas q eu quero escrever, a própria elaboração desse pensamento em si já é expectante. Ela é certamente plena de boas intenções e egoísmos, de pretensões disfarçadas de caos.
Escrever sobre mim é projetar nesses versos aquilo q eu quero q as pessoas leiam e pensem sobre mim somado aquilo q elas querem ler e pensar. E no final sempre haverá o peso da solidão. Aquela q é ao mesmo tempo meu luxo, e o preço a pagar; minha chegada e meu caminho a percorrer. E quando falo de solidão, nunca posso deixar de falar em liberdade...
Eu sei q esse discurso meta-linguístico de uma crise existencial é enfadonho e melancólico, quase imaturo. Não posso dizer q não possua parte dessas qualidades do meu próprio texto, porém (e sempre há um porém, assim como sempre há uma mulher) é para mim mesmo q escrevo. Só eu tenho o prazer e a obssessão de descobrir esse alguém pra quem escrevo e pra quem sou escrito. Esse alguém q eu não sei quem sou.
Escrito por Fiódor às 16h21
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