
O Homem q dorme com uma mulher Kafkiana sempre Acorda ao lado de um inseto
Estive há alguns dias me envolvendo na questão q Thomas Mann explorou no seu magnífico "Morte Em Veneza": Belo versus cerebral, expontaneidade versus elaboração e etc, etc...Na verdade não houve um fato unico q tenha desencadeado tal inquietação, embora tenha existido uma gota. Gosto de alegorias pq acho q o mais interessante das histórias não é a sua veracidade, mas sim a sua aplicação metafórica. A vida é a metafora para a própria vida. Enfim, estava eu num dos meus passeios vespertinos, quando, ao me sentar num café, estilo francês, não tanto pelo café, ou pela arquitetura, mas por estar tocando jazz dos anos 40, sentei eu a fingir ler as revistas. Olhava uma em q uma atriz americana dava dicas sobre como tornar-se 10 anos mais jovem, o pior de tudo pra mim não era em si o conteúdo da matéria, mas principalmente o cabelo da moça estar escovado. No meio da minha divagação, eis q surge Isaura. Uma moça q a sua beleza era tão agressiva q reoslvi pedir um café expresso. Uma beleza espontânea, imprevisível, se Deus tivesse usado como exemplo Isaura, a discussão com Jó teria terminado na hora. No momento q ela entrou estava tocando "Star Eyes", interpretada por Lester Young, e aconteceu a velha pane no meu sistema. A beleza sempre tem a preferência da minha atenção primária. Ela se sentou e todos os compromissos q haviam na minha agenda estavam cancelados. Troquei a revista por livros, e aí comecei a fazer como os pavões, porém, ao invés de cores usava letras, livros. Fui onde não se tem como errar: "Canto Geral", do Pablo Neruda. Além de plasticamente bonito, é um livro com tantos mitos em volta q poderia falar dele a tarde inteira. O tipo de livro q valeria o numero do telefone. Tudo dependeria da escolha dela, para q eu tentasse puxar um link. Ela pegou a revista "Rolling Stone" e começou a ler e ria como se fosse um livro do Ary Toledo.Eu comecei a refletir naquela questão inicial. Thomas Mann, fala q " a grande ventura do escritor é tornar todo sentimento em pensamento, e todo pensamento em sentimento...". Esse conflito é antigo e intenso, será q toda beleza não é idealizada? e q toda a genialidade tb não é inventada? É tão engraçado qdo nos sentimos impotentes diante da beleza. Parece q todos os curriculos parecem supéfluos...(continua)
Escrito por Fiódor às 14h52
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São versos graves esses meus.
Todo texto que escrevo é grave. Pq não consigo fugir de mim nos meus textos. Machado já falava isso na introdução de "Dom Casmurro" (lembra?!). Por mais que eu tente de uma maneira extremamente sistemática e metologica não pensar nas expectativas que eu próprio crio sobre as coisas q eu quero escrever, a própria elaboração desse pensamento em si já é expectante. Ela é certamente plena de boas intenções e egoísmos, de pretensões disfarçadas de caos.
Escrever sobre mim é projetar nesses versos aquilo q eu quero q as pessoas leiam e pensem sobre mim somado aquilo q elas querem ler e pensar. E no final sempre haverá o peso da solidão. Aquela q é ao mesmo tempo meu luxo, e o preço a pagar; minha chegada e meu caminho a percorrer. E quando falo de solidão, nunca posso deixar de falar em liberdade...
Eu sei q esse discurso meta-linguístico de uma crise existencial é enfadonho e melancólico, quase imaturo. Não posso dizer q não possua parte dessas qualidades do meu próprio texto, porém (e sempre há um porém, assim como sempre há uma mulher) é para mim mesmo q escrevo. Só eu tenho o prazer e a obssessão de descobrir esse alguém pra quem escrevo e pra quem sou escrito. Esse alguém q eu não sei quem sou.
Escrito por Fiódor às 16h21
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