
Todo grande império necessita da criação de seus mitos e da efetuação de suas mortes. Isso não tem nada de original, ou novo, vide Gore Vidal e Maquiavel. Pra mim, um dos inventores da mitologia do século xx, a americana, foi Frank Capra. Sempre q vc estiver com alguma dor de cotovelo, naqueles dias Thom Yorke, veja "A Felicidade Não Se Compra".
Eu tenho q confessar ás minhas leitoras (pelo menos até agora só mulheres comentaram), eu adoro fábulas. Adoro esse flerte com o inverossímil, com o infantil, com aquilo q não tem cabimento. Na verdade o q tem cabimento? Já disse q não caibo nesse mundo, então eu sou a prova viva do descabido. É engraçado como as coisas acontecem, vi esse filme num daqueles momentos russos da vida, onde parece q o sofrimento é tão dolorido q parece q vc vai ser levado pra Sibéria, aguentar aquela temperatura amena, e carregar nas costas as dores do mundo. O filme fala de um cara q sempre quiz sair da sua cidade natal, uma daquelas cidades pré-moldadas do interior dos EUA, mas nunca conseguiu por conta das dificuldades da empresa de seu tio, empresa da qual ele se tornou dirigente. Um dia um anjo vem proporcionar a oportunidade dele conhecer a cidade se ele não permanecesse lá.
O filme é perfeito, e eu adoro Frank Capra, por que ele é brega, é sentimental ao extremo, mas consegue fazer com q a fabula seja tocante, sem perder o timing. O filme conta com a interpretação do canastra James Stewart, e existe algo de muito conservador, mas ao mesmo tempo muito libertário. Esse é um daqueles filmes q são frutos do susto causado pelo crack da bolsa em 29. O capitalismo assustava pq nunca tinha acontecido uma crise tão devastadora nos EUA. Mas ele me tocou, pois George Bailey (Stewart) constrói uma família q se ama por meios muitos transversais, e a unica coisa q sustenta a família é realmente o amor.
Não sou um daqueles caras q pregam a família, a religião e o estado, mas esse amor q nós sentimos por aqueles q estão próximos, mesmo q não tenhamos muito em comum com os mesmos é inexplicável e fundamental. Detesto possessividade, e estabilidade, acho duas palavras abomináveis, mas nossas vidas sempre tem de ter um ponto de ancoragem. Andar na linha limitrofe entre amar e ser possessivo é muito dificil, assim como os limites dos filmes de Capra. Pra terminar vou de Saramago: "Amar é uma das melhores maneiras de ter. Ter deve ser uma das piores maneiras de amar..."
Escrito por Fiódor às 23h52
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A Mais nova integrante do meu TOP 10. Rachel Weisz, uma autêntica Teresa.
Escrito por Fiódor às 13h30
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Tenho um pensamento recorrente há uns 2 anos: O q é ser velho? Tento formular algumas respostas , chegar a algumas quase conclusões, mas não gosto de nenhuma delas significativamente, me divirto, sim, com a formulação delas. O meu envelhecimento se resume a reparar em trejeitos específicos das pessoas q tem se tornado cada vez mais repetitivas. Porém, esses termos usados acima ("repetitivas" principalmente) não mais tomam uma conotação de toda e nem fundamentalmente negativa. Eu estou começando a amá-las. Na verdade esse preâmbulo é pura e simplesmente pra falar sobre uma dessas coisas específicas e q a sua repetição faz com q ela se torne bela.
Quando lembro dos meus relacionamentos mas antigos, me vem a memória imediatamente coisas muito contraditórias e cafonas ao mesmo tempo, até pq sem cafonice não existe amor, e nem fé. Mas o momento do limite entre o físico e o sentimental é o q eu chamo de Hesitação. Essa é a verdadeira grande loucura da paixão, quando naqueles segundos antes do primeiro beijo, a mulher estremesse o corpo, contrai todos os músculos, e por um momento nos sentimos como algozes e testemunhas da loucura de uma mulher, e um segundo depois nos sentimos como salvadores, da mesma forma q nos sentimos salvos. Mas toda mulher hesita. Até a puta hesita. Até a freira hesita, e estremesse, como um raio q dá inicio há um incêndio, avisando q nada será como antes. Paul Ricoeur fala q "Só há responsabilidade quando há fragilidade. O verdadeiro objeto da responsabilidade é o frágil..." , e essa noção de responsabilidade é o segundo de angústia do homem. Não por ele ser homem, mas por entender q aquele espetáculo de medos e despedidas o revela tb frágil, quase como uma volta placenta. Esse momento específico, q depois se faz esquecer me faz entender q eu já tive muitas paixões e q elas são aquilo q me faz sabotar a minha própria idade, elas são a minha pedra filosofal, o meu Delorean existencial, é aquilo q me faz em um segundo voltar pra mesma questão insuperável...
Escrito por Fiódor às 13h04
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