A Idade da Razão


 Galera, aí vai uma outra parte do texto q transformei de roteiro em literário. Não gosto mto de comentar as coisas q escrevo, mas o roteiro ele tem algumas digrssões próprias, talvez a edição seja até nessa ordem caótica q estou publicando. Enfim, antes de terminar queria q vcs ouvissem todos esses sons q coloco nos textos. São lindos e são muito pessoais pra mim. Vamos deixar trololó e vamos ao q interessa:

Capítulo 1- A Casa

 

Ao abrir o elevador vendou-a com um pano de seda vermelho. Perguntou se estava conseguindo olhar por entre os fios do tecido. Passou sua mão na frente dos olhos pra certificar-se que sua artimanha dera certo. Pegou na sua mão para conduzi-la pelo corredor até a porta do apartamento. Como sempre cruzou seus dedos com o dela e trouxe-a deslizando pelo corredor de paredes cor de gelo.

 

Os sentidos dela estavam aguçados e ao passar pela primeira porta do corredor, ela se assustou ao ouvir as primeiras notas do fabuloso disco de Stevie Wonder “My Cherie Amour” no apartamento do vizinho que lembrava ele também das coisas que deveria ter deixado de  . Nada poderia ser mais adequado. Seu coração cada vez palpitava mais.

 

Ao passar pela segunda porta do corredor ouviu o barulho de pratos de uma família de marroquinos que tinham o costume de sempre comer juntos aquela hora.  Ele resolveu tentar uma brincadeira e soltou-a no corredor sozinha. Ela espertamente agarrou o colete dele e proferiu algum dos seus xingamentos já característicos. Ele ri e dá um beijo rápido, porém firme, em sua boca.

 

A porta é a terceira. Ele girou a chave com cuidado. Abriu a porta e a fez entrar com um leve empurrão. Ela sentiu o cheiro da pintura recente, misturado com o barulho de uma construção que parecia próxima. Ele a desvendou e disse: “Esse é o começo da nossa vida”. Ela arregalou os olhos. E tão incontido como o seu sorriso eram suas lágrimas. Naquele momento ela lembrou do primeiro momento que o viu, das primeiras risadas juntos e de todas as impossibilidades. Essa foi a primeira lembrança quando abriu os olhos.

 

O apartamento era no Soho, bairro judeu de classe média de Manhatan. Sempre quando antes passavam pelo Bairro adoravam as cores das casas. Era num café ali perto onde ele falara pela primeira vez que a amava. Ele a escolhera pura e simplesmente por tê-la visto sorrir num dia de primavera....

 

...(continua)

 



Escrito por Fiódor às 00h58
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Hoje vou começar a postar textos sobre um roteiro q eu estou escrevendo. Transformei o roteiro num texto literário, uma parte dele pelo menos.Espero q vcs gostem, na verdade primeiro espero q vcs leiam, se quiserem comentar seria um prazer. Então aí vai:

" Vez por outra Leonel olhava pra porta. Homens sempre olham pra porta pela possibilidade da entrada da beleza porética. No som do restaurante tocava "Blues For Alice", ele sabia q o som cortante só poderia ser executado pelo velho Charlie Parker, ria pela constatação da sua exuberância intelectual jazzística, mas um segundo, logo estava as voltas com a dor no estômago. Ele olhava para o seu relógio. Detestava a idéia de depender do relógio do celular.  Começou a ensaiar as frases, Pensava consigo - Como se pode começar uma conversa onde você sabe que o seu conteúdo pode desencadear a morte de uma pessoa?

   Olívia adentra ao retaurante. Usava um vestido longo, azul, era engraçado como Leonel, sentia o perfume de Olivia a grandes distâncias. Ela, mesmo vendo o semblante grave de Leonel, acenou com um entusiasmo digno e incrível. Chegou a levantar os calcanhares do salto. Enquanto vinha na direção de Leonel, ele se levantava. Sempre se levantava quando ela se aproximava, falava desde os tempos do ginásio que um homem sempre deve se levantar em frente a um espetáculo, e ver Olivia andando era sempre um espetáculo mudo e frágil., e tão exuberante. Ela como sempre, quebrava todas as formalidades e logo envolveu as mãos na nuca de Leonel e puxou-o para si. Na boca dele ficou o gosto da química do baton, na dela o gosto das coisas por serem ditas.

Sentaram-se de frente, ele sentia que o perfume dela já tinha se anexado ao seu corpo. Ela sem falar muito começou a encarar o cardápio. Ele ficou sem jeito. Ia e voltava na cadeira cruzando as pernas, onde as coxas já formigavam pela espera. Abruptamente ela, ainda olhando o cardápio fala:-era a nossa música, viu? Acabou

- "Blues For Alice" sempre será a nossa música. Lembra quando decidimos botamos botar o nome da nossa filha de Alice, por causa dessa música?

 Tentava disfarçar a própria dor, quando começou a tocar "My Favorite Things". Ele  tomou o ultimo gole da taça de vinho e o ultimo fio de coragem que lhe sobrava:

- Olívia, não sei como se começa a dizer essas coisas...

- Não diga nada- disse Olívia, ainda lendo o cardápio. Ela levantou logo a cabeça e disse- Eu sei que esse será o nosso ultimo jantar. Eu só quero te pedir que não fale isso hoje. Vamos fazer o seguinte, terminamos o nosso jantar. Quero depois sair pra dançar tango, e terminamos a noite sentados em frente ao pier. Damos um beijo e nunca mais nos vemos, que tal?. Eu só peço esse ultimo minuto de alegria. Não me fale que isso seria difícil pra você, pois dentre as suas poucas qualidades não está incluída a sinceridade.

 Leonal pensou na hora "Olívia está velha. pelo menos me parece que envelheceu 20 anos essa noite...""



Escrito por Fiódor às 01h06
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